Música digital, fidelidade e privacidade

Publicado em April 24, 2007
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Música digital, fidelidade e privacidade O surgimento das formas de armazenamento digital da música causou um reboliço em uma das indústrias mais rentáveis do mundo (das legais pelo menos), a musical. O principal produto delas, o CD, deixou de ser relevante comercialmente com o aumento da capacidade de armazenamento das mídias e o constante aprimoramento dos algoritmos de compressão de aúdio.

A pessoa comum não tem ouvidos treinados para discernir todas as camadas de uma gravação de música clássica, por exemplo. A formatação de vários estilos de música atuais, e o Heavy Metal é um exemplo perfeito, faz com que percam relevância texturas muito sutis de som. Pro consumidor só importa que o resultado sonoro ouvido seja agradável, aquele sonzinho de ocarina que o artista teimou em inserir no meio do barulho não será reconhecido, é só masturbação artística.

Hoje em dia não importa que o CD tenha qualidade de reprodução superior, o consumidor quer acesso rápido e imediato a toda sua coleção. Nesse contexto o simples ato de retirar um CD de sua caixinha e pô-lo pra tocar é uma perda de tempo inconcebível. A facilidade proporcionada pelos playlists e suas infinitas configurações tornou o processo de busca de uma música fácil demais.

As gravadoras parece que acordaram para o fenômeno. O movimento agora é de desistência dos formatos que restringem a distribuição e de busca por um modelo de negócios sustentável. Uma sugestão interessante foi a de Peter Jenner, ex-empresário do Pink Floyd: uma taxa única de download de músicas. Embora existam dificuldades óvias com a proposta, existem consumidores ávidos por downloads, e consumidores normais, essa é uma alternativa viável e que pode garantir o ganha-pão de todas as partes envolvidas.

Resta esperar que as gravadoras, por enquanto a parte mais forte nessa queda de braço, não consigam aprovar nenhuma das iniciativas de controle e supervisão do conteúdo que trafega pela Internet. As conseqüências disso, em razão da natureza indistinta dos bits e bytes, podem ser desastrosas. Imagino que todos prefiram resguardar o pouco que resta de nossa privacidade em troca da derrocada de um modelo de negócio falido. Existem muito mais coisas em jogo do que simples músicas.

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